MEUS ESPAÇOS PESSOAIS...

domingo, 21 de agosto de 2011

Silêncio

O silêncio do poeta
crava rimas de ausência
nas sobras de meu próprio espaço...

Simone Saback
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quinta-feira, 31 de março de 2011

A Deus

Grande Pai
- mãe de nossas vidas -
roga por nós agora
e que, nesta hora,
te ouças a ti mesmo
e te compreendas
na proporção de nossa ignorância.

Pai-Mãe
tolerância...
Não te alcançamos os passos
não te deciframos os traços,
enfim...
Não temos as mesmas medidas.

Grande Pai
- amor e medo, vida -
cerca-te de nossa prece
de sorte que sejamos tua vontade
de nos fazer felizes.

Roga por nós agora
e por todas as horas
que o tempo contar.

Simone Saback

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domingo, 11 de abril de 2010

Humanidade

E a humanidade é assim,
como sempre,
meio tolice, meio malícia
e toda ansiedade.
Uníssona em sua ira bendita
e semitonada na felicidade...

É bem assim a humanidade.

Desagregada,
sem rimas pobres ou ricas,
cansada, errante,
perfeito semblante de mistério.

Eterno império do nada,
de tudo,
de algum lugar
que ainda é lugar algum.

Sábia sem memória,
calma sem paz.

A humanidade é flecha certeira
sem rumo.

É assim, meio a tantos e tão poucos,
nem resposta, nem questão.

A humanidade é uma ilusão.

Simone Saback
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terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Minha Montanha

O mais bacana de chegar aos 50 é estar aqui, no pico da montanha, olhando a imensidão da paisagem longe do chão - emoção sem igual. Daqui dá pra ver todas as coisas que já vi, bem ao meu redor, mas estão salpicadas de coisas que eu nunca tinha visto antes. Isso muda tanto o que vejo...

A montanha é a que a gente escolhe subir. Eu não quis muito alta, pra poder respirar com meus próprios pulmões e, assim, pensar meus próprios pensamentos. Também não quis muito íngreme, que era pra subir caminhando em torno dela, devagar pra não cair, vendo todos os lados.

Não tem pico estreito a montanha que escolhi. Aliás, aqui há uma grande planície onde posso estar segura e confortável, com todos que escolheram a mesma montanha que eu e confraternizar com eles, porque resumem minha vida (e eu a deles). Com eles vou erguer meu castelo com o que trouxe comigo. Isso me bastará por agora, que é o tempo de perceber a vida, mais do que qualquer outra coisa. Descobri, também, que os que já não estão aqui viraram rochas firmes e me deram calço para chegar no alto - mas não ao fim do caminho.

Mas o que compreendi de mais importante aqui dos 50 anos, no pico da minha montanha, é que sempre estive no alto, ou não poderia ter chegado a este lugar. O que acontece é que tem pedaços que a gente sobe com muito medo de cair, então só olha para o precipício em baixo de nossos pés, ou o que falta escalar acima de nossa cabeça. Se, em vez disso, olhássemos para o horizonte, veríamos até onde já chegamos, se estamos num caminho bacana e se as pessoas que passam por nós vão caber lá em cima...

O primeiro susto vem quando a gente começa a tentar subir montanhas que não são nossas, lá pelos vinte e tal, quando andamos em grupo, meio sem perceber onde passa e para onde está indo. Aí a gente passa pelos trinta e tal na dúvida se finalmente escolheu a montanha mais querida. Aí dá medo de subir pra ver direito e raiva de descer e perder tempo. É hora de não parar ,que é pra não petrificar-se. Ou sobe ou desce pra conferir, rever rotas, coisa e tal.

Quando chegam os quarenta e alguma coisa, a gente já está pra lá do meio do caminho e já dá pra perceber se aquela é mesmo nossa montanha. Tem que ter coragem pra fazer o que tem que ser feito e aí sim, ter certeza da montanha escolhida. Tudo bem errar o caminho. Só assim a gente conhece outros lugares que nem imaginava conhecer e que acabaram por servir de referência para o resto da viagem...

Quer saber? O incrível mesmo de chegar aos 50, feliz como estou agora, é saber perfeitamente que não é possível chegar aqui antes do tempo. E que chegar ao pico da nossa montanha não serve para anunciar vitórias, nem ficar bandeiras, muito menos ficar ali parada. Chegar aqui serve pra a gente saber que não voa "porque não quer, não porque não tem asas(*)".


Simone Saback
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(*) Paulo Leminski

sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

Porque sou poeta...

Sabe,
eu sou poeta.
Posso tudo que quero,
quero tudo que sou
e sou tudo que espero,
só porque sou poeta.

Sonho o que não alcanço,
toco tudo que sonho,
e chego onde não vejo
porque sou poeta.

Vou além do desejo,
sinto tudo que emana,
e exalo tudo que sinto
porque sou poeta.

Canto o que jamais ouvi,
ouço o que jamais se cantou
e tudo que quero é morrer de amor
só porque sou poeta.

Sabe,
eu sou poeta
e só por isso,
sou.



Simone Saback
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quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

Flor-de-Pele

Choro tua ausência
à flor da pele,
flor-de-pele,
de minha pele...


Quero-te a meu redor
até à última gota de vida
em mim,
livre em meu jardim.

Tal qual as borboletas,
poderás ir quando quiseres,
voltar quando quiseres
e ainda serei tua!

Ainda que o tempo
tire-me a graça,
jamais arrancará a emoção.
E tu,
flor-de-meu-eu,
permanecerás em meu coração.

Aqui te guardo,
aqui te abrigo,
aqui te aguardo,
minha luz,
minha vida,
meu fado...



Simone Saback
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terça-feira, 1 de dezembro de 2009

Sentir

Amor não é paixão
Às vezes vem de lá
Às vezes, não.

Paixão não é amor
Às vezes chega lá
Às vezes, não.

Sexo não é paixão nem amor
Às vezes toca lá
e às vezes, não.


Simone Saback
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